Vou começar uma série de postagens sobre bandas brasileiras muito boas, que provavelmente ninguém, ou pouquissíma gente conhece.
Não porque não são boas, mas por não fazerem música para o mainstream radiofônico e por estarem fora do eixo Rio-São Paulo.

Como primeira banda, apresento a quem não conhece a banda paranaense Charme Chulo, uma banda que faz a estranha, porém interessante e incrivelmente boa mistura entre a música caipira de raiz de um Almir Sater com o indie alternativo dos Smiths.
Como exemplo dessa barbaridade que eu acabei de dizer, fica o clipe de Mazzaropi Incriminado:

A banda anda crescendo no cenário brasileiro e merecem, as letras são muito interessantes e a sonoridade é original, algo muito raro hoje em dia.
Quem quiser conhecer mais sobre a banda visite o myspace ou o canal do youtube, com vários vídeos interessantes.
Eles já vão no segundo disco, e que venha o terceiro…

Faz  muito tempo que percebi uma coisa, que a internet matou o underground!!!!! Quem viveu a adolescência nas décadas de 80/90 e se interessou por quadrinhos, música, ou algo que fizesse parte do dito underground vulgo “coisas estranhas” sabe. As tapes trocadas com os cds do nirvana, o bleach era algo como um tesouro a ser encontrado. Se vc fosse punk e quisesse encontrar algo do black flag ou dos Dead Kennedy’s a luta era selvagem, fuçar sebos, comprar fitinhas na galeria do rock, encontrar um punk endinheirado que tinha vinilzões importados da Inglaterra ou EUA. Pior era ser gótico, e quando eu digo gótico não estou me referindo ao nightwish e nem ao within temptation, estou me referindo ao verdadeiro GOTH!!!!!!!!!! Coisas como Bauhaus, Poésie Noire, Fields of the Nephilim e afins, bandas do verdadeiro goth 80′s, cujos cd’s eram como pepitas de ouro numa serra pelada já quase sem ouro nenhum e cheia de garimpeiros. A troca de fitas, e zines, e revistas importadas, era a única forma possível de se encontrar certas coisas, e não é que eu sinta falta disso, mas ser do underground aquela época, era ser basicamente um super-herói aos olhos do resto do mundo que era obrigado a ouvir titãs, legião urbana e paralamas do sucesso, não que sejam bandas ruins, mas era o que a mídia lhe enfiava ouvido abaixo. Claro que com o tempo isso piorou, hoje o que te enfiam ouvido abaixo é nxzero, restart e lixos afins. Sem contar o fato que qualquer fan de nxzero mais ou menos bem informado já ouvir falar de husker du, e pode argumentar que uns anos atrás ser melocore, ou emocore era aceitável e interessante. Claro que não dá pra comparar husker du com fall out boy, ou my chemical romance, mas há ali algo de husker du. Concluindo, a internet facilitou o acesso, e graças a ela conheci muita coisa que antes seria virtualmente impossível, possibilitou o sucesso de ótimas bandas como o arcade fire e o arctic monkeys, mas por outro lado, banalizou a informação de tal forma, que conseguiu algo que nossos pais não conseguiram, matar o underground que existia dentro de nós.

Zines, sim, isso já existiu…

Era com muita expectativa que todo mundo que gosta de rock alternativo aguardava pelo novo cd do arcade fire, o que ninguém poderia saber era que esse cd pudesse ser tão bom!
The suburbs, vem 3 anos depois do aclamado e também incrível neon bible, que sucedeu o primeiro cd o espetacular funeral.
O que basicamente significa que o arcade fire nos últimos 6 anos, tem sido uma das melhores bandas do mundo, lançando cd’s consistentes, sempre na lista dos melhores e mantendo uma qualidade que já veio alta no cd de estréia, e até mesmo antes, no EP arcade fire que já contava com músicas como no cars go.

Conheci arcade fire numa noite em lisboa, ligado a MTV despretensiosamente, quando de repente começa aquele clipe simples porém cativante, aquele piano incessante, a melodia contagiante e o violino.
Rebellion (lies), era tudo isso e muito mais, pra mim a melhor música de 2004, fui conhecer mais sobre a banda e dei de cara com power out e no cars go, era impossível não perceber ali qualquer coisa de originalidade.
O tempo passou, o arcade fire amadureceu e veio o segundo cd, o magistral Neon bible e seus orgãos e arranjos de cordas.
Intervention, black mirror, a regravação de no cars go, e my body is a cage são músicas geniais, e pra mim a melhor música de 2007 era mais uma vez do arcade fire, my body is a cage, ganhou um fanvid que ficou famoso e foi citado por vários famosos incluindo Bruce Springteen que ao conhecer Win Butler citou o tão famoso vídeo.
E o arcade fire, agora uma superbanda a nível mundial, levou sua bíblia aos fans devotos de todo o mundo, e depois sumiu por um tempo, e começou  a preparar a volta, haviam passado pela prova do segundo cd, e precisavam agora mostrar que poderiam manter toda a notoriedade que ganharam no terceiro.

3 anos depois, eis que depois de um burburinho em torno das gravações, o que fariam, que direção iriam seguir, chega até nós The suburbs.
E bem, the suburbs é até o dia 6-8-2010 o melhor cd do ano!!!
É um cd diferente, as melodias continuam ali, os violinos tbm, os teclados tbm, mas foi tudo arranjado de maneira diferente, de forma a dar uma sonoridade mais “crua”, tem folk, tem rock alternativo, indie, tem até technopop.
A primeira coisa que se percebe de diferente são os toque eletronicos em diversas músicas, coisa que eles ainda não haviam feito antes, ao menos não de forma óbvia.
O cd também assusta pela quantidade de músicas, são 16!!!!!!!!!
E o mais incrível, são 16 músicas realmente boas, não consigo apontar nenhuma música ruim, existem são as diferentes propostas, músicas mais intimistas, mais arranjadas, mas são todas excelentes, e com letras incríveis.
As melhores músicas do cd são a the suburbs, ready to start, , modern man, city with no children, we used to wait e sparawl II.
Sprawl II é incrível, technopop com algo cocteau twins 80′s, a Regine deveria definitivamente cantar mais nos cd’s, ready to start é exatamente isso mesmo, letra incrível, melodia pulsante, é arcade fire no seu melhor.
E para variar a melhor música do ano pra mim é we used to wait, talvez porque siga a linha aberta por rebellion, o piano incessante, o backing feminino, a melodia arrebatadora, tudo isso da continuidade ao trabalho e confirma o que já se sabia, que os arcade fire são uma banda espetacular, criativa e que nunca decepciona.

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